Dicas úteis para violonistas
Afinação da guitarra:
Pode utilizar-se um diapasão, um afinador electrónico ou a tonalidade do telefone, que corresponde exactamente ao Lá (440 Hertz).
A afinação faz-se sempre esticando a corda (do mais grave para o mais agudo).
Afinar a sua guitarra com auxílio da página do construtor Amalio Burguet.
Mudança de cordas:
Aconselha-se vivamente que as cordas sejam mudadas uma após a outra e não todas de uma vez, o que poderá ter como efeito desequilibrar o braço.
Manutenção da guitarra:
A fim de que as a transpiração não oxide as cordas, estas deverão ser secas com um pano após a utilização da guitarra.
Evitar expor o instrumento a excessos de calor, de humidade ou de secura.
Humidade
Ramirez tem na sua oficina uma humidade de 55%. Abaixo de 55% - Perigo!. Existem acessórios para manter a humidade no verão. Consiste num tubo de borracha com orifícios, com uma esponja no interior que se enche de água, eliminando o excesso, para que não caia em gotas no interior da guitarra.
São eficazes, pois viajei no verão com a guitarra de automóvel (quase 600 km), com um aparelho registador de humidade-temperatura dentro do estojo - além do acessório humidificador - e pude comprovar que embora a temperatura tenha alcançado, por vezes, 29º C, a humidade pouco desceu dos 50%.
Saudações cordiais,
José-Luis Rojo
A luz das cordas
“Einstein demonstrou que Newton estava equivocado; Hawking demonstrou que Einstein estava equivocado; oxalá Hawking esteja equivocado, pois, se os buracos negros não são tão negros, então o Universo não teve princípio, o que nos levaria ao paradoxo da existência do Criador”
Creio que já é tempo de que alguém construa uma guitarra que afine perfeitamente; temos que acreditar que é possível, ainda que continuemos falhando; eu, inclusivamente, já propus isso mesmo, para tema de uma memória de Engenharia ou de Licenciatura em Física. O método seria construir uma escala de aço, perfeitamente rectilínea, sem trastes, dotada de pestana e cavalete reguláveis e um traste móvel ligada a um Parafuso micrométrico digital (micrómetro); se cada corda estiver ligada a um frequencímetro e a um afinador electrónico, poderíamos deslocar o traste móvel para a posição em que dê a nota exacta de cada semi-tom ao pisar a corda, posição essa que seria registada pelo micrómetro; é evidente que o registo seria função do tiro (comprimento vibrante da corda – distância da pestana ao cavalete) e da luz da corda (distância livre entre a parte inferior da corda e o bordo do traste) e, se a pendente (inclinação) da pestana e do cavalete forem constantes e determinarem uma luz ascendente da primeira à sexta corda, os trastes resultariam linhas rectas, levemente oblíquos e levemente atrasados em relação à posição tradicional (mais atrasados e oblíquos, nos pontos de mais luz; a única forma de trastes não oblíquos é que todas as cordas tenham a mesma luz) este atraso e esta inclinação diminuiriam para a pestana e aumentariam para o cavalete, não seriam detectados à vista, não afastariam o instrumento do modelo clássico e a afinação seria perfeita desde que não variassem o comprimento vibrante (tiro) e as luzes, o que dependeria mais da destreza na construção e da qualidade da madeira, do que do clima, do tempo e da sorte.
O objectivo seria construir tabelas para distintos comprimentos vibrantes (tiros) e distintas luzes e publicá-las para utilização dos construtores.
A questão é muito discutida a nível mundial; já todos os construtores sabem que o método Schladni, utilizados desde há 200 anos, é incorrecto e que compensá-lo a partir do cavalete é incorrecto, já muitos construtores atrasam os seus trastes e muitos começam a incliná-los.
Recomendo respeitosamente aos construtores que construam e terminem os seus instrumentos “sem trastes”, encordoem-nos, afinem e esperem um tempo; com um traste móvel localizem e meçam, o mais exactamente possível, desde o cavalete, as oitavas da primeira e da sexta cordas afinadas (oct 1 e oct 6); a seguir meçam, o mais exactamente possível, o comprimento vibrante (tiro) de ambas as cordas afinadas (t1 e t6).
A marca, na parte superior da escala, para o traste n (MSn), medida desde a pestana, obtém-se:
MSn: t6 x [1 – (oct6/t6) elevado a (n/12)]
E a marca, na parte inferior da escala, para o traste n (MIn), medida desde a pestana, obtém-se:
MIn: t1 x [1- (oct1/t1) elevado a (n/12)]
Finalmente unem-se com uma linha recta as marcas superiores e inferiores para cada traste e sobre esta instala-se o traste.
Garanto que este método para entrastar instrumentos de corda melhora notavelmente a exactidão ao longo de toda escala.
Francisco Bevilacqua
Engenheiro Civil Químico
Novembro de 2003
A guitarra perfeita para o cliente
Quando o construtor instala os trastes e o cavalete com uma compensação em função do comprimento vibrante (tiro), ao colocar as cordas e afinar, ocorrem variações que obrigam a deslocar o cavalete a fim de melhorar as oitavas no traste 12. Este cavalete final, por vezes não obtém a maior comodidade para o cliente e é crítico para a afinação.
Com o meu método, o construtor pode manter a sua compensação, mas termina a guitarra sem colocar ainda os trastes. Coloca o cavalete mais a gosto do cliente. Põe as cordas que agradem ao cliente, afina e aguarda até que a afinação se mantenha constante, momento no qual se alcança o estado estacionário da escala harmónica relativamente à tensão das cordas.
Seguidamente, com um traste móvel, dos que agradem ao cliente, localiza a posição exacta do traste 12, de forma que, ao pisar a corda se obtenha a oitava perfeita de cada corda e instala o traste 12, se a compensação do construtor tiver sido boa, o traste 12 ficará muito pouco oblíquo.
Agora a guitarra tem apenas o traste 12 colocado; até aqui tudo vai bem, afinação exacta e comodidade. A seguir com um calibrador (craveira) de 700 mm, apoiando na parte interna da pestana e do cavalete e, na linha da corda afinada, mede-se o comprimento vibrante exacto da primeira e da sexta corda (L1 e L6).
Apoiando agora o calibrador entre o interior do marfim e o centro do traste 12 e na linha da corda afinada mede-se o comprimento vibrante exacto das oitavas da primeira e da sexta corda (O1 e O6). Alimentando com estes dados o meu programa, obtêm-se as marcas exactas dos trastes da primeira e da sexta corda, medidos desde a pestana, instalando finalmente os trastes sobre as linhas rectas que unem estes pares de marcas.
Tn = L*(1-(O/L) elevado a (n/12))
No primeiro dia a guitarra será tão exacta e tão cómoda como aquela com que o cliente sempre sonhou.
“Uso a tensão mais baixa nas cordas porque se consegue melhor vibrato. Perde-se um pouco de volume mas cada nota pode ser mais musical. Gosto das guitarras fáceis de tocar. Eu digo aos construtores que a melhor maneira de fazer uma guitarra com bom som é fazê-la fácil de tocar, para que os guitarristas possam tocar melhor.”
David Russell
Manuel Barrueco tem duas guitarras impressionantes, uma alemã de Mathias Dammann e uma americana de Robert Truck, eis as suas palavras:
“A Dammann é muito poderosa, mas a Ruck é mais exacta, por isso gravo com a Ruck e em concerto uso a Dammann”.
Manuel Barrueco.
Isto demonstra claramente que mesmo perante os mais caros instrumentos, conta a sensibilidade, a afinação e a comodidade, e os grandes deuses da guitarra, como Barrueco e Russell, não estão em silêncio.
Francisco Bevilacqua
Engenheiro Civil Químico
Janeiro de 2004